VIDAS NEGRAS IMPORTAM 3 – As maiores vítimas da violência

VIDAS NEGRAS IMPORTAM 3 – As maiores vítimas da violência

De acordo com o estudo Atlas da Violência 2021, os negros têm o dobro de chance de serem assassinados no Brasil. Eles representam 77% das vítimas de homicídio.

Os dados trazidos pelo estudo, apresentado em 2021, são de 2019, mas a situação, histórica, hoje permanece a mesma e alguns casos até piorou. Enquanto a taxa de homicídios por 100 mil habitantes entre os negros foi de 29,2, entre os não negros foi de 11,2,

O Atlas é elaborado em parceria entre o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), do Ministério da Economia, e o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), ligado ao governo do Espírito Santo e tem como base dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ambos do Ministério da Saúde. E mesmo quando os números de violência diminuem, a situação da população negra permanece.

De acordo com Daniel Cerqueira, economista, diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves e um dos coordenadores do Atlas, esse dado é uma herança maldita da nossa história colonial, que é a herança do racismo. “Esse processo de racismo subsiste desde os tempos coloniais até hoje. Todo ano, quando a gente faz esse tipo de análise, a gente vê essa discrepância tão grande entre mortes de negros e não negros.”

O documento mostrou que a desigualdade persiste e se acentuou nos últimos anos. Por isso chegamos, conforme dados do estudo, a 11 homicídios por grupo de 100 mil habitantes entre brancos/amarelos e 29 por 100 mil entre os negros.

MULHERES NEGRAS AUMENTAM AS ESTATÍSTICAS

No recorte por gênero do estudo, o quadro também é grave. Em 2019, as mulheres negras representaram 66% do total de mulheres mortas no país, com uma taxa de mortalidade por 100 mil habitantes de 4,1, enquanto a taxa entre mulheres não negras foi de 2,5.

Para os especialistas, estes resultados são “fruto de uma nação racista, escravocrata, e que relegou a população negra às piores condições de vida, aos piores absurdos do ponto de vista de discriminação, e que se refletem até hoje quando a gente fala dos indicadores de educação, quando a gente fala dos indicadores de mercado de trabalho e que talvez ainda mais visíveis quando a gente está falando dos índices de violência”.

A VIOLÊNCIA VEM TAMBÉM DO ESTADO

Situações como a morte de João Alberto Silveira Freitas, causada por agressões de seguranças do Carrefour, em Porto Alegre, entre outras inúmeras mortes por violência pela cor da pele, fortaleceu no Brasil movimentos semelhantes ao Vidas Negras Importam, que surgiu nos EUA a partir da morte de George Floyd, que denunciam cada vez mais estas mortes, que não poupa sequer crianças.

Dados de Monitor da Violência, de 2020, apontam que 78% dos mortos pela polícia são negros e as abordagens refletem o racismo histórico no país. De cada 5 mortos, 4 são negros. O número refere-se às vítimas das polícias militar e civil e, também, representa a responsabilidade atribuída às instituições do sistema de justiça, que vê os fatos acontecerem e pouco ou nada faz para mudar esta realidade.

Reconhecer esta situação é um primeiro passo para mudar esta realidade, mas é preciso ir além, para definitivamente romper este ciclo de morte que tem como critério a cor da pele. O movimento negro está nas ruas denunciando, mas é preciso que cada um e cada uma assuma a sua parte nesta luta.

Assessoria de Comunicação

17/11/2021 20:41:50

 

Nara Soter

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