Em vez de lamentar, Amazon devia explicar o que os trabalhadores estavam fazendo num pavilhão que desabou em meio a um tornado

Em vez de lamentar, Amazon devia explicar o que os trabalhadores estavam fazendo num pavilhão que desabou em meio a um tornado

Pelo menos seis trabalhadores da Amazon morreram e outros tantos ficaram feridos na noite da sexta-feira (10), depois que um centro de distribuição da empresa desabou em decorrência das tempestades e tornados que atingiram a cidade de Edwardsville, em Illinois, nos Estados Unidos. Relatos da imprensa local dão conta que “o depósito da varejista Amazon sofreu danos catastróficos com dezenas de pessoas dentro”.

CORAÇÃO PARTIDO?

O CEO da Amazon, Andy Jassy, se apressou em publicar nas suas redes sociais que a empresa estava “com o coração partido pela perda” de seus funcionários em Edwardsville. Mas não explicou o que, em meio a um tornado que já vinha afetando a região e matando dezenas de pessoas, inclusive com alertas dos órgãos governamentais, os trabalhadores estavam fazendo num pavilhão de distribuição da Amazon.

Além disso, o dono da Amazon, o magnata Jeff Bezos, vem sendo criticado por demorar a dar informações sobre a tragédia que matou seis trabalhadores da empresa. Também, porque enquanto as consequências do acidente rolavam, Jeff Bezos comemorava mais um lançamento da Blue Origin, que transportou seis passageiros para a borda do espaço (ele, inclusive) e declarando estar “feliz” no centro de treinamento Blue e ainda publicou com fotos nas redes sociais.

Para quem não lembra, o dono da Amazon, Jeff Bezos, é o homem mais rico do mundo e recentemente gastou milhões de dólares para dar uma volta de 11 minutos no espaço, e ainda agradeceu aos clientes e trabalhadores da Amazon por terem proporcionado esta “experiência” para ele. Pelo visto, um passeio que os trabalhadores pagam com a vida.

As reações foram imediatas. Diversas pessoas classificaram como “uma vergonha” e declararam a raiva que sentiam de um sujeito que comemorava enquanto famílias se preparavam para enterrar seis trabalhadores mortos e outros ainda se recuperam dos ferimentos.

SEM PERMISSÃO PARA SAIR

Relatos dos familiares dizem que pelo menos uma das vítimas que morreu quando um tornado destruiu o prédio da Amazon não teve permissão da empresa para sair. Segundo o familiar, se tivesse saído da empresa antes, teria tido de tempo de chegar em casa antes do tornado tocar a terra.

Já a Amazon disse que o local de Edwardsville recebeu um alerta de tornado por meio de vários alertas, e a equipe no local trabalhou para colocar o máximo de trabalhadores em um abrigo designado na área local.

A instalação de 1,1 milhão de pés quadrados foi inaugurada em julho de 2020 e empregava cerca de 190 pessoas. Até bem pouco tempo, a Amazon proibia os trabalhadores de terem seus telefones em mãos, nem mesmo para receber os alertas de tempestades. Essa medida só foi revista em função da pandemia.

NÃO CONFIO NA AMAZON

Outro funcionário da Amazon disse à imprensa local que, depois dessas mortes, não há a menor possibilidade de se confiar na Amazon. Ele se referia a história de que às vezes a empresa impede seus trabalhadores de usarem os celulares durante o trabalho. Não ter acesso a um telefone celular pode impedir que os trabalhadores vejam atualizações localizadas do Serviço Meteorológico Nacional (NWS) que avisam sobre condições meteorológicas severas iminentes. O NWS enviou um desses alertas menos de uma hora antes de o armazém ceder.

Muitos que se salvaram conseguiram sair do prédio porque receberam o alerta pelo celular antes da tragédia e tiveram tempo de se abrigar em outro local.

Não é a primeira vez que trabalhadores da gigante do varejo morrem durante tempestades. Em 2018, dois trabalhadores de uma instalação da Amazon em Baltimore morreram durante uma forte tempestade. E essa é só uma das face mais evidentes das condições de trabalho na empresa.

Importante lembrar que a Amazon é uma das empresas interessadas em comprar o Correios. Aqui não tem tornados, mas seguramente, existem outras formas de sacrificar a segurança e a vida dos trabalhadores, quando a prioridade não é assegurar condições seguras de trabalho, mas gastar milhões de dólares passeando pelo espaço.

Não à privatização do Correios!

Assessoria de Comunicação

Nara Soter

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