Como assediar moral e sexualmente sem ser punido

Como assediar moral e sexualmente sem ser punido

Como assediar moral e sexualmente, sem ser punido, parece ser o objetivo do material institucional dos Correios “Prevenção e enfrentamento à violência no trabalho”.

Na página 21 da cartilha é afirmado diretamente que não é assédio sexual “conduta inconveniente numa festa de trabalho, onde um colega ou chefe, após algumas doses a mais, faz comentários de duplo sentido e lança olhares sedutores”. O que já vinha ruim, no material, como ao utilizar eufemismos conservadores de “galanteio” para reforçar a naturalização social de comportamentos machistas, chega ao pico do absurdo ao descrever passo-a-passo como assediar sexualmente colegas e descaracterizar a violência ao mesmo tempo, em termos legais e de processos disciplinares internos.

O material não é apenas mal-feito, é uma agressão a todas mulheres e homens que lutam diariamente contra a violência e o assédio, contra todas as vítimas que já sofreram e sofrem com o descrédito social em busca de justiça.

Igualmente inaceitável é o tratamento que se dá sobre assédio moral. Na página 13 é afirmado que “Más condições de trabalho. Só caracterizam assédio moral se forem direcionadas a um único trabalhador”, se ignora totalmente o assédio moral coletivo. Abrindo espaço, também, para o assediador entender como proceder assédio contra grupos de desafetos, sem sofrer as consequências.

Gestão assediadora existe e não pode ser tolerada!

Passamos quatro anos sob o assédio do governo Bolsonaro, contra todas e todos os trabalhadores públicos, sabemos dos impactos dessa realidade.

A cartilha finaliza trazendo informações sobre violência, consequências, dicas de condutas, etc. Na página 25, entre as atitudes preventivas, está elencado “Evitar fazer comentários, brincadeiras e piadas desrespeitosas com os colegas”. Querida DEREO e GERT, desrespeito é inadmissível em qualquer forma! É preocupante que a confusão seja tão profunda que essa afirmação precise ser direcionada a áreas especializadas.

Por fim, nas sugestões de ação, para vítimas de assédio, está indicado a procura de sindicatos e instituições de apoio. Nesse ponto temos concordância. Trabalhadores e trabalhadores denunciem agressões e assédios, inclusive quando na forma de material institucional, como esse caso.

Exigimos retirada imediata do material de circulação e responsabilizações pelo conteúdo e suas consequências.

SINTECT-RS

12/01/2023 19:58:14

Nara Soter

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