SINTECT-RS abre atividades do mês da mulher com bate papo online

SINTECT-RS abre atividades do mês da mulher com bate papo online

Trabalhadoras ecetistas que integram a Comissão de Mulheres do SINTECT-RS realizaram, no dia 2 de março, um bate papo virtual sobre questões de gênero e a situação da mulher trabalhadora. Durante cerca de uma hora e meia elas trataram de diversos assuntos, como assédio moral e sexual, violência, feminicídio, machismo no ambiente de trabalho no Correios e em outros espaços, dentre outras questões.

A atividade abriu as ações que serão realizadas durante o Março das Mulheres de Luta, em celebração ao Dia Internacional da Mulher.

Durante suas falas, elas reiteraram que os ataques do governo Bolsonaro aos trabalhadores atingiram sobremodo as mulheres, afetadas diretamente por um governo misógino, que só fez aumentar o índice de violência contra as mulheres. Foi também lembrado que as mulheres estiveram na linha de frente da greve de 2020, diante das lutas necessárias para enfrentar os ataques as trabalhadoras e trabalhadores e evitar a privatização do Correios.

CONFLITOS ESTÃO DENTRO DE CASA

Um dos pontos levantados pelas integrantes da Comissão foi de que a maioria dos conflitos se dão nos espaços domésticos, desde os comportamentos que inferiorizam a mulher até a ocorrência da violência física. Alertaram que o machismo não é uma atitude só dos homens, que muitas mulheres reproduzem comportamentos machistas. Nesse sentido, concordaram, é preciso uma educação para os filhos que não inclua comportamentos machistas e violentos, tanto para as meninas como para os meninos.

Os dados apontados por elas reforçam as falas. Em 2022, foram mortas 106 mulheres a mais por dia do que em 2021, vítimas de feminicídio. Destes casos, 80% foram praticados por companheiros e ex-companheiros. Ainda, das mulheres mortas, 60% são mulheres negras. Mesmo assim, no último governo, houve uma redução drástica de recursos para combate à violência contra a mulher.

AS MULHERES NA CATEGORIA

Para as trabalhadoras, as mulheres têm algumas pautas específicas de gênero que unem toda a categoria, independente do setor de atuação. Registraram que é preciso olhar o todo, olhar a necessidade de quem está a seu lado e unificar a luta. Um olhar que se torna ainda mais necessário frente a luta dos/as ecetistas para recuperar suas conquistas retiradas em 2020, que prejudicou fortemente as mulheres da categoria.

Elas também chamaram atenção e deram relatos de situações e comportamentos desrespeitosos e inconvenientes dentro dos locais de trabalho e alertaram que as “piadas” ferem e perpetuam o machismo.

Neste sentido, anunciaram que o Sindicato está confeccionando uma cartilha contra a violência nos locais de trabalho, como mais um instrumento para a categoria ter em mãos para saber reconhecer e o que fazer nos casos de assédio. O material também é um contraponto a cartilha da empresa, denunciado pelo Sindicato e que teve repercussão nacional, que era praticamente um manual de como assediar sem ser responsabilizado.

LUTA É ÁRDUA E PERMANENTE

Durante a live, diversas trabalhadoras que acompanhavam online, participaram com comentários e questionamentos. Entre eles, o de que é preciso chamar os companheiros homens a também assumirem a luta junto com as mulheres. É preciso resgatar os direitos retirados do Acordo Coletivo e avançar em diversas outras questões não só nas do mundo do trabalho, mas também no respeito e contra a violência às mulheres. A luta é árdua e permanente, disseram elas.

AMPLIAR O DEBATE

Durante a live, a Comissão anunciou que o debate será ampliado com toda a categoria, em visitas aos locais de trabalho para distribuição da Cartilha e conversa com as trabalhadoras e os trabalhadores. Estas visitas, disseram, são importantes porque as mulheres muitas vezes sequer têm tempo para estar nos espaços específicos de debate, devido as jornadas duplas e triplas.

Por fim, agradeceram as participações, os colegas do apoio técnico para a realização do bate papo virtual e chamaram todas e todos a participarem das visitas e das atividades que serão chamadas pelo Sindicato durante o mês de março, entre elas a participação na Marcha das Mulheres de Porto Alegre, que ocorrerá dia 8 de março às 17h na Praça da Matriz (com concentração a partir das 14h) e da atividade de encerramento do mês, na sede do Sindicato, dia 25/03 às 16h, quando será realizada o seminário do mês da Mulher e confraternização de celebração das lutas.

Ainda antes de finalizar a live, as trabalhadoras de Correios manifestaram seu total repúdio ao caso dos trabalhadores mantido em situação análoga à escravidão nas vinícolas da Serra Gaúcha, resgatados recentemente.

Participaram as diretoras Raquel Alves, Patrícia Ferrugem, Helen Souza, Fernanda Ilha e Amanda Antunes.

Assessoria de Comunicação

05/03/2023 23:25:55

Nara Soter

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