MOBILIZAÇÃO DOS TRABALHADORES OBRIGA CORREIOS A RECUAR E ABRE NOVA ETAPA DA LUTA CONTRA A REESTRUTURAÇÃO

MOBILIZAÇÃO DOS TRABALHADORES OBRIGA CORREIOS A RECUAR E ABRE NOVA ETAPA DA LUTA CONTRA A REESTRUTURAÇÃO

A mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios levou a direção da empresa a recuar, ainda que parcialmente, em algumas das medidas previstas no plano de reestruturação que vinha provocando indignação na categoria. A ameaça de uma greve nacional foi decisiva para que a empresa mudasse a postura de imposição unilateral e abrisse uma mesa permanente de negociação.

Durante as últimas semanas, a categoria denunciou os impactos da reestruturação, que prevê fechamento de unidades, mudanças no Sistema de Dimensionamento da Distribuição (SDD) e retirada de remunerações como o Adicional de Atendimento em Guichê (AAG) e a Quebra de Caixa. Essas medidas representam não apenas prejuízos financeiros aos trabalhadores, mas também comprometem as condições de trabalho e a própria qualidade do serviço prestado à população.

Em reunião realizada nesta terça-feira (7), a FENTECT avaliou que a proposta apresentada pela direção dos Correios somente ocorreu em razão da ampla mobilização nacional construída pelos sindicatos e pela categoria. Segundo a Federação, foi a firme disposição de realizar uma greve nacional que forçou a empresa, com mediação do Governo Federal, a apresentar uma proposta de negociação.

Diante desse novo cenário, a FENTECT orientará suas assembleias a deliberarem pela suspensão do indicativo de greve, mantendo, entretanto, o estado de greve. A decisão demonstra que os trabalhadores não estão recuando da luta, mas criando as condições para que a negociação ocorra sob permanente vigilância da categoria.

EMPRESA SUSPENDE MEDIDAS, MAS NÃO DESISTE DA REESTRUTURAÇÃO

Na carta encaminhada à FENTECT, a direção dos Correios propõe a instalação de uma Mesa Permanente de Negociação, com participação da Secretaria-Geral da Presidência da República, destinada exclusivamente a discutir os impactos do Plano de Reestruturação 2026/2027.

Como consequência imediata da pressão dos trabalhadores, a empresa propôs suspender até 31 de julho:

  • novos fechamentos de unidades, exceto aqueles já concluídos ou em estágio avançado;
  • a implantação do Sistema de Dimensionamento da Distribuição (SDD);
  • a retirada do Adicional de Atendimento em Guichê (AAG) e da Quebra de Caixa, além de reavaliar os descontos já realizados.

Embora esses anúncios representem uma importante vitória parcial, eles não significam o abandono da reestruturação. Pelo contrário, a própria empresa afirma que a mesa permanecerá funcionando durante toda a execução do Plano de Reestruturação 2026/2027, deixando claro que o projeto continua em andamento.

VIGILÂNCIA PERMANENTE

Para os representantes dos trabalhadores, a suspensão das medidas não elimina as preocupações da categoria. O fechamento de unidades, a redução de efetivos, a retirada de direitos e as mudanças na organização do trabalho continuam sendo temas centrais que exigirão forte atuação sindical.

A manutenção do estado de greve aprovada pela FENTECT demonstra exatamente esse entendimento: a mobilização continuará enquanto houver qualquer ameaça aos direitos dos ecetistas ou à própria existência dos Correios como empresa pública.

A Federação também aprovou a instalação de uma Comissão Permanente de Negociação, que acompanhará as discussões com a empresa a partir da próxima semana, reafirmando o compromisso com a defesa dos trabalhadores e dos Correios públicos, fortes e a serviço da população brasileira.

A LUTA CONTINUA

O recuo da empresa comprova que a mobilização e a unidade da categoria é a principal ferramenta para impedir retrocessos. Agora, mais do que nunca, será fundamental que os trabalhadores participem das assembleias, acompanhem as negociações e permaneçam mobilizados. A suspensão do indicativo de greve não representa o fim da luta, mas o início de uma nova etapa, em que a categoria seguirá vigilante para impedir qualquer medida que represente perdas de direitos, precarização das condições de trabalho ou enfraquecimento dos Correios enquanto patrimônio público do povo brasileiro.

Assessoria de Comunicação

07/07/2026 20:36:30

 

Nara Soter

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