TRABALHADORES/AS DOS CORREIOS DO RS REJEITAM PROPOSTA VERGONHOSA E APROVAM ESTADO DE GREVE

TRABALHADORES/AS DOS CORREIOS DO RS REJEITAM PROPOSTA VERGONHOSA E APROVAM ESTADO DE GREVE

Em assembleia realizada no dia 25 de agosto, categoria repudiou por unanimidade o reajuste de apenas 0,87%, aprovou a intensificação das mobilizações e indicou a construção de uma grande greve caso a empresa não apresente uma proposta digna

Os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios no Rio Grande do Sul deram uma resposta firme à direção da empresa de que não aceitarão migalhas, retirada de direitos e o desmonte da estatal. Em assembleia realizada pelo SINTECT-RS na terça-feira, 25 de agosto, a categoria rejeitou por unanimidade a proposta apresentada pela empresa, reafirmou o estado de greve e aprovou a continuidade do calendário de mobilização.

A assembleia também confirmou a realização de uma nova plenária no dia 10 de setembro, com indicativo de deflagração de greve por tempo indeterminado. Caso não haja uma proposta decente, a paralisação deverá começar às 22 horas do próprio dia 10 nas bases que possuem terceiro turno e à zero hora do dia 11 nas demais unidades.

A decisão expressa a indignação dos trabalhadores/as diante de uma proposta que prevê reajuste de apenas 0,87% nos salários e benefícios, o equivalente a somente 20% do INPC acumulado de 4,35%. Além de não repor sequer a inflação, a empresa insiste em atacar direitos históricos, enfraquecer a organização sindical e aprofundar uma reestruturação que fecha unidades, extingue postos de trabalho e deteriora os serviços prestados à população.

MENOS QUE O VALOR DE UMA PAÇOCA

Durante a assembleia, os representantes do SINTECT-RS no Comando Nacional de Negociação apresentaram exemplos concretos da proposta indecente dos Correios. Com o reajuste de 0,87%, o vale-refeição passaria de R$ 53,53 para apenas R$ 54, um aumento de menos de cinquenta centavos que, disseram, não compra nem uma paçoca.

O reembolso-creche teria acréscimo de cerca de R$ 6, enquanto o auxílio para dependentes com deficiência subiria menos de R$ 10. Para um carteiro com salário-base próximo de R$ 3.087, o reajuste representaria somente R$ 26,85.

Isso não é valorização. É um desrespeito com quem mantém os Correios funcionando diariamente, mesmo diante da falta de pessoal, da sobrecarga, da precarização das unidades e da ausência de manutenção em veículos, bicicletas e prédios.

Os dirigentes que participaram das negociações em Brasília denunciaram ainda que a empresa não demonstrou qualquer disposição real para negociar. Em vez de apresentar respostas às reivindicações da categoria, a direção limitou-se a repetir o discurso sobre a crise financeira e a oferecer a manutenção apenas das cláusulas que não representam custos.

AMEAÇA APÓS EMPREGOS E AO FUTUTO DOS CORREIOS

A revolta da categoria não se limita à proposta econômica. A direção da empresa promove uma reestruturação brutal, sem transparência e sem apresentar estudos que justifiquem as medidas anunciadas.

Entre os ataques denunciados na assembleia estão a previsão de fechamento de mais 400 unidades no país, a extinção de grande parte dos postos de carteiro, a implantação de modelos que suprimem vagas, o encerramento de turnos de tratamento e a retirada de adicionais. Nacionalmente, mais de 1.300 trabalhadores já perderam a gratificação de quebra de caixa.

No RS, a empresa pretende fechar unidades como os CDDs Menino Deus e Niterói e transferir trabalhadores para locais que já enfrentam problemas graves de infraestrutura, lotação, banheiros, iluminação e infiltrações. O Estado está entre os que mais sofreram com o fechamento de unidades no país.

Enquanto abandona prédios próprios e deixa trabalhadores/as em condições precárias, a empresa gasta recursos com aluguéis elevados. Depois, tenta jogar a conta da crise sobre quem trabalha.

Não serão os poucos reais retirados da quebra de caixa, do adicional noturno ou de outros direitos que salvarão os Correios. Essa política apenas penaliza a categoria e acelera o desmonte da empresa pública.

ATAQUE AOS DIREITOS E À ORGANIZAÇÃO SINDICAL

A proposta também ameaça cláusulas do Acordo Coletivo, o pagamento de 200% pelo trabalho aos domingos e o modelo de registro de ponto por exceção. Além disso, busca reduzir as liberações sindicais e impor custos às entidades representativas.

O objetivo é estrangular financeiramente os sindicatos, afastar seus dirigentes dos locais de trabalho e diminuir a capacidade de fiscalização, denúncia, negociação e mobilização da categoria.

A direção da empresa tenta repetir o ataque promovido em 2020, quando direitos foram reduzidos e a representação dos trabalhadores/as foi duramente atingida. Mas a categoria já deixou claro que não assistirá passivamente à destruição de suas conquistas.

Os dirigentes também cobraram responsabilidade do governo Lula. Representantes do governo acompanharam as discussões sobre a reestruturação e receberam denúncias das federações e dos sindicatos. Portanto, não é possível alegar desconhecimento diante do fechamento de unidades, da supressão de postos de trabalho e da precarização da estatal.

CATEGORIA APROVA CALENDÁRIO DE MOBILIZAÇÃO

Além de rejeitar a proposta e reforçar o estado de greve, a assembleia aprovou a intensificação da luta no Rio Grande do Sul. Entre as próximas atividades estão:

27 de agosto: participação na live nacional unificada, às 19 horas;

2 de setembro: ato nacional em defesa dos Correios e contra a atual política de gestão;

3 de setembro: reunião com delegados e representantes das unidades do Estado;

7 de setembro: participação no Grito dos Excluídos;

10 de setembro: nova assembleia, com indicativo de deflagração da greve por tempo indeterminado.

O SINTECT-RS também ampliará as visitas aos locais de trabalho, as reuniões setoriais e o diálogo direto com a categoria. Carteiros/as, atendentes, trabalhadores/as do tratamento e das áreas administrativas precisam construir juntos uma resposta à altura dos ataques.

A assembleia aprovou ainda a prorrogação temporária da sentença normativa, com a retirada do trecho questionado pelas assessorias jurídicas das entidades sindicais, para preservar as condições atualmente vigentes durante as negociações.

SEM PROPOSTA DECENTE, A RESPOSTA SERÁ A GREVE

Mesmo carregando as consequências da mobilização do ano passado, inclusive descontos prolongados e inexplicáveis nos contracheques, a categoria demonstrou que não está disposta a baixar a cabeça. Os ataques atuais atingem os salários, os benefícios, os empregos, as condições de trabalho, a organização sindical e a própria sobrevivência dos Correios como empresa pública.

Os Correios cumprem uma função estratégica e chegam a regiões onde empresas privadas não têm qualquer interesse em atuar. Defender a estatal é defender a universalização dos serviços postais, a soberania nacional e o direito de toda a população brasileira ao atendimento.

A direção da empresa precisa entender que os trabalhadores/as não aceitarão pagar por uma crise que não criaram. Se não houver negociação verdadeira e uma proposta digna, a categoria irá parar.

Agora é hora de conversar com cada colega, fortalecer as atividades nos locais de trabalho e preparar uma grande assembleia no dia 10 de setembro.

Não aceitaremos migalhas, retirada de direitos nem o desmonte dos Correios. A categoria está em estado de greve e pronta para a luta!

Assessoria de Comunicação

26/08/2026 11:34:23

CONFIRA FOTOS DA ASSEMBLEIA

Nara Soter

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