ACT 2026/2027: TRABALHADORAS DEFENDEM AMPLIAÇÃO DE DIREITOS E BARRAM TENTATIVA DOS CORREIOS DE RETROCESSOS

ACT 2026/2027: TRABALHADORAS DEFENDEM AMPLIAÇÃO DE DIREITOS E BARRAM TENTATIVA DOS CORREIOS DE RETROCESSOS

As negociações do ACT 2026/2027 foram retomadas nos dias 28 e 29 de julho, com a discussão das cláusulas voltadas às garantias das mulheres trabalhadoras. Em uma mesa de negociação composta majoritariamente por mulheres, foi reafirmado que a igualdade de gênero, o combate às violências e a ampliação de direitos são prioridades da Campanha Salarial 2026.

Durante os debates, a representação sindical destacou que não basta manter cláusulas no papel, mas é preciso garantir sua efetiva aplicação. Também denunciou a demora na apuração das denúncias de assédio moral e sexual e questionou que empregados denunciados por esse tipo de conduta estão sendo promovidos, situação incompatível com uma política séria de prevenção e enfrentamento à violência no ambiente de trabalho.

Na maior parte dos temas, a proposta apresentada pelos Correios foi apenas a manutenção do texto atual. Já a representação dos trabalhadores defendeu a incorporação integral das reivindicações aprovadas pela categoria, que, tem entre outros pontos:

Licença-maternidade e proteção à gestante – Nas cláusulas de pagamento do AADC durante a gestação e licença-maternidade, da licença-maternidade propriamente dita e da prorrogação da licença, a empresa propôs manter a redação atual. Os trabalhadores afirmaram que a necessidade de incorporar todas as melhorias constantes na pauta de reivindicações, reforçando a proteção às empregadas gestantes e às mães.

Enfrentamento à violência contra a mulher – Embora os Correios proponham apenas sua manutenção, os representantes da categoria defenderam o fortalecimento da rede de proteção, com suporte multidisciplinar às vítimas, encaminhamento adequado aos serviços especializados, acompanhamento das entidades sindicais e garantia de que gestores cumpram efetivamente a cláusula.

Internação do recém-nascido – No afastamento especial até a alta hospitalar do recém-nascido e/ou da mãe, a empresa manteve o limite de 15 dias. Os trabalhadores rejeitaram a limitação e defenderam o afastamento durante todo o período de internação.

Redução do direito à amamentação – A empresa propôs ampliar o benefício amamentação até os 24 meses, mas quer reduzir o tempo diário atualmente assegurado de três para duas horas, divididas em um intervalo de duas horas ou dois intervalos de uma hora. Os trabalhadores apoiaram a ampliação do período para 24 meses, mas rejeitaram a redução do tempo diário, o que consideram um claro retrocesso

Saúde da mulher – Os Correios propuseram que laudos emitidos por médicos ginecologistas passem a ser homologados pelo Serviço Médico da empresa para concessão da licença menstrual. Os trabalhadores foram contrários, pois entendem que a exigência cria obstáculos burocráticos, dificulta o acesso ao direito e desconsidera a autonomia do médico assistente.

Equidade de gênero e liderança feminina – Também foram debatidas as cláusulas de promoção da equidade de gênero, combate ao sexismo e incentivo à participação das mulheres em cargos de liderança. A representação dos trabalhadores reivindicou a incorporação integral das propostas constantes na pauta aprovada pela categoria, ampliando mecanismos que garantam igualdade de oportunidades e maior participação das mulheres nos espaços de decisão da empresa.

Para os trabalhadores, os direitos das mulheres são resultado de décadas de organização e luta sindical e a categoria não aceitará retrocessos, ainda mais em cláusulas com baixo ou nenhum impacto financeiro.

O SINTECT-RS continua participando e acompanhando as negociações e repassará todas as informações do que for debatido à categoria. Também convoca todos e todas a permanecerem mobilizados para enfrentar qualquer tentativa da empresa de retirar ou reduzir direitos.

Assessoria de Comunicação

30/07/2026 20:14:54

Nara Soter

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