ASSEMBLEIA DE TRABALHADORES APROVAM PAUTA DE REIVINDICAÇÕES E ESTADO DE GREVE
Na noite gelada de 7 de julho, trabalhadores dos Correios do RS participaram da assembleia geral do SINTECT-RS, para deliberar sobre os rumos da categoria nesse início de campanha salarial. A direção do sindicato conduziu a assembleia, que foi trasnsmitida ao vivo para o interior do estado pelo Facebook, que aprovou a pauta de reivindicações definida no CONREP e a manutenção do estado de greve, suspendendo o indicativo de greve que estava programado para o mesmo dia. O edital chamando a assembleia, com indicativo de greve, foi publicado no sábado (04) garantindo o cumprimento de todas as medidas para a segurança jurídica da mobilização.
A direção do SINTECT-RS abriu os trabalhos destacando a importância do momento e o cenário de ataques generalizados: “Mesmo sem um projeto de privatização em discussão no Congresso, os Correios estão sendo sucateados por dentro, com cortes e precarização que seguem uma cartilha que conhecemos bem”, afirmaram os dirigentes sindicais. Assim, a assembleia foi marcada por relatos contundentes sobre o processo de reestruturação da empresa, tratado pela categoria como uma privatização interna.
Dentro dos informes sobre os ataques à categoria, tratados como reestruturação, os diretores relataram a reunião com representantes de quatro ministérios, ocorrida em Brasília, entre eles o das Comunicações, a direção nacional dos Correios e o Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos. Na ocasião, o sindicato denunciou a carta branca dada à Emmanuel Rondon para o desmantelamento dos serviços postais, incluindo o fechamento de agências, a roteirização ineficiente e a retirada de diversos adicionais históricos da categoria.
A diretoria também detalhou a luta em defesa dos atendentes comerciais e das Agências de Correios próprias. Foi relatado o fechamento abrupto de agências importantes, como: Vila Jardim, Partenon, Fórum Central, Campus da UFRGS, Ana Rech e Galópolis. Mesmo em meio a muitos protestos, atos e abaixo-assinados da comunidade atingida se posicionaram contra os fechamentos. A retirada do quebra-de-caixa e do adicional de guichê, que representam uma perda significativa nos salários, foi outro ponto central, com a direção informando das ações judiciais já protocoladas.
RUIM PARA TODOS, PIOR PARA AS MULHERES
A diretoria também trouxe à tona a realidade das trabalhadoras, destacando que os ataques são diários e incluem assédio moral e sexual: “Nós temos que saber o que é nossa obrigação e o que passa a ser uma humilhação. Precisamos reagir unidas”, disse, pedindo a solidariedade de todos os colegas. Relatando as precárias condições dos veículos e da manutenção veicular, mostrou como essa precariedade geral impacta mais as mulheres.
RECUO DA EMPRESA
A pressão do sindicato e da representação dos trabalhadores em nível nacional, que incluiu ações no Ministério Público Federal e do Trabalho, além de ações judiciais, surtiu efeito. Em reunião com a empresa, na semana passada, os representantes da gestão informaram que a reestruturação está suspensa temporariamente até 31 de julho. Incluindo a suspensão do fechamento de unidades como os CDDs Menino Deus, Niterói, São José e Minuano, bem como a implantação do Sistema de Dimensionamento de Distribuição (STD) e a retirada de adicionais. A suspensão é fruto de uma mesa de negociação, que conta com a participação da Secretaria-Geral da Presidência da República.
PAUTA NACIONAL E ESTADO DE GREVE
Na sequência da assembleia, os dirigentes apresentaram a proposta nacional da Federação, aprovada no CONREP. A pauta foca nas cláusulas que estavam em julgamento no ano anterior, com adendos importantes. Entre eles, a exigência de responsabilidade sobre riscos psicossociais exigidos pela nova redação da NR-1, a luta pela redução da jornada para 40 horas semanais (fim da escala 6×1), a recomposição salarial com reajuste de 5% mais o INPC do período e 300 reais linear e a criação de um adicional de complexidade para atendentes que lidam com serviços como os do INSS.
A assembleia também discutiu o calendário de mobilização, que prevê o início das negociações em 13 de julho e uma possível greve a partir de 15 de setembro. Após as intervenções da plenária, a diretoria colocou em votação a aprovação da pauta nacional e do cronograma nacional, aprovados por ampla maioria dos presentes. Em seguida, foi votada a proposta de suspensão do indicativo de greve marcado para o dia 7, mantendo o estado de greve da categoria. A medida, segundo a direção, visa dar fôlego para as negociações na mesa tripartite, sem renunciar ao poder de mobilização. A proposta também foi aprovada. Por fim, a assembleia referendou os nomes de três representantes da categoria para revezarem a participação no Comando Nacional de Negociação.
Ao final, a direção do SINTECT-RS reforçou a necessidade de unidade e organização da categoria e a denúncia da responsabilidade do governo Lula no sucateamento do Correios, através do representante nacional, Emmanuel Rondon, e da gestão regional do RS, que correm para atender todas as decisões que prejudicam nossa categoria e o Correios público e de qualidade.
Assessoria de Comunicação
08/07/2026 12:48:59

