Auditoria do TCU escancara realidade: Correios é altamente eficiente e entregas no prazo chegam a 97%

O Tribunal de Contas da União (TCU) realizou uma auditoria/fiscalização sobre os serviços prestados pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). A auditoria foi em função de Solicitação do Congresso Nacional (SCN), demandada pela Comissão de Defesa do Consumidor, da Câmara dos Deputados. A auditoria levou em conta três perspectivas de forma a sistematizar o estudo:

SUPERVISÃO MINISTERIAL – Segundo a relatora, “considerando a abrangência e os limites das competências legais, a supervisão realizada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) se mostrou adequada e contribuiu para o aperfeiçoamento da qualidade dos serviços da ECT. Excetuam-se dessa conclusão a publicidade e a transparência das informações sobre os serviços postais, pois se evidenciou que o ministério não divulga à sociedade, de forma acessível, dados sobre as metas de universalização e qualidade dos serviços postais básicos, nem os resultados alcançados pela empresa postal”.

QUALIDADE DOS SERVIÇOS – Quanto à gestão da qualidade, a auditoria do TCU avaliou as variações nos resultados dos indicadores de qualidade nos últimos anos. De modo geral, conclui-se que todos apresentaram sensível melhora a partir do segundo semestre de 2018, com índices consideravelmente positivos. Um indicador que pode ser considerado fundamental para a percepção de melhoria dos serviços dos Correios é o Índice de Entrega no Prazo (IEP). Em 2015, era de cerca de 87%. O IEP alcançou em 2019 o seu valor mais expressivo: mais de 97%.

BENCHMARKING – “A comparação entre empresas semelhantes mostra-se, evidentemente, como importante ferramenta de análise. Apesar de exercer o mesmo serviço, cada empresa atua em um ambiente distinto, sujeitas a diferentes regulações, abrangendo diferentes extensões territoriais e qualidades das vias de transporte, diferentes regras de universalização, com presença, ou não, de aporte de recursos públicos, entre outras diferenças”. Mas, mesmo diante dessas considerações, em comparação com a empresa postal americana, cujos dados estão na internet, verificou-se que, entre 2005 e 2018, em relação à margem de lucro das duas empresas no período, é possível inferir pela melhor situação dos Correios. No que diz respeito ao indicador que mede a tempestividade da entrega de encomendas, há relativa proximidade entre o percentual por elas alcançado, com exceção do exercício de 2019, diante da melhora significativa dos indicadores da ECT. No que concerne a outros países e à qualidade dos serviços prestados pela ECT, houve avaliação da International Post Corporation (IPC), consórcio das principais empresas postais do mundo. No último relatório de performance do IPC para o serviço Prime, modalidade de importação de documentos e encomendas de até 2kg, e que hoje representa o serviço internacional com maior valor agregado prestado pelos Correios, a estatal brasileira apareceu na 6ª colocação em entrega no prazo (99,1%), estando à sua frente apenas países com menor território ou população, o que gerou à ECT um bônus de R$ 100 milhões no 1º semestre de 2019.  

Os resultados do TCU apontam para uma realidade que vem sendo colocada pelos trabalhadores: por que privatizar se a empresa é rentável e eficiente? A quem interessa vender o Correios?

É importante lembrar que estes resultados foram alcançados considerando todos os entraves que vêm sendo impostos pelo governo Bolsonaro e pela gestão da ECT, como a destruição da empresa, a precarização das condições de trabalho, a falta de pessoal, que vem sendo reduzida fortemente desde 2011, os sucessivos PDV’s, ataques a direitos dos trabalhadores e, inclusive desde início de 2020, uma pandemia, que reduziu ainda mais o pessoal e amentou os serviços. Se há mérito neste resultado, ele se deve principalmente aos trabalhadores, que têm levado a empresa nas costas, muitas vezes ao custo de suas próprias vidas.

Assessoria de Comunicação

C/Informações do TCU

17/05/2021 18:34:27

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