Plenária reforça necessidade de unidade na luta contra as privatizações

O SINTECTR-RS participou, na manhã da quarta-feira (14), da plenária estadual contra as privatizações. O encontro, virtual, debateu as privatizações nas três esferas (municipal, estadual e nacional) e contou com a participação de representantes das centrais sindicais, sindicatos de diferentes categorias e movimento estudantil, entre outros. Foram convidadas a falar todas as entidades que assinaram o manifesto que deu origem à plenária de luta contra as privatizações.

Na abertura dos trabalhos, o Secretário-Geral do SINTECT-RS falou sobre a situação dentro do Correios e destacou que a prática é a mesma em outras estatais. Todas passam por desmonte, sucateamento e ataque aos direitos dos trabalhadores, com o claro objetivo de preparar para a privatização. No caso do Correios, disse o dirigente, a direção da empresa conseguiu desmontar o ACT, apesar da forte resistência da categoria, que realizou uma de suas maiores greves, da qual saiu de cabeça erguida, mas seguramente mais empobrecida do ponto de vista financeiro pela retirada de direitos. Ele frisou, ainda, que a pandemia é um agravante. “A empresa trata a pandemia da pior forma possível, deixando os trabalhadores totalmente expostos e levando os sindicatos a terem que entrar na Justiça para garantir minimamente a limpeza das unidades com surtos de Covid-19”, denunciou ele.

Por fim, informou que as principais ameaças hoje são os projetos de lei (PL) 7488/2017 e o 591/2021, que tramitam no Congresso com objetivo de privatizar e retirar da empresa o monopólio postal, além do Decreto de Bolsonaro do duia 13 último, que incluiu o Correios no Plano Nacional de Desestatização.

A representação da Carris, feita por Afonso Martins, disse que estamos em um importante momento da classe trabalhadora, que vem sofrendo vários ataques de todos os governos. “Reivindicar a unidade na luta neste momento é fundamental para enfrentar e derrotar este projeto”, acrescentou. Afonso lembrou a história de lutas da Carris, que resultaram inclusive em demissões, e frisou que ela será necessária mais do que nunca com a proposta do Prefeito Sebastião Mello de vender ou extinguir a Carris.

Representando o SINDPPD-RS, Vera Guasso, também destacou o cenário difícil para os trabalhadores e destacou que, como era de se esperar, a elite econômica nacional e internacional se aproveita da pandemia, a pior dos últimos 100 anos, para destruir direitos e a cidadania. “Querem impor uma nova colonização, não é um ataque desorganizado, apesar das diferentes formas de atuar dos governos, mais ou menos brandos, de acordo com o ponto de vista da política ultraliberal. Querem que o Brasil volte a ser uma colônia meramente produtora de matéria-prima e para isso estão vendendo as maiores empresas. Mas apesar de todos os ataques, estamos resistindo e por isso a necessidade de ampliar ainda mais a unidade”.

Também na mira da privatização, o representante dos Metroviários, Luis Henrique, destacou que não por acaso, as privatizações estão em setores como informação, energia, transporte, que são essenciais para a soberania do país. Por isso, diz ele, a hora é de valorização dos servidores e dos serviços públicos. Segundo o dirigente, o leilão da Trensurb deve ocorrer até o final do ano, embora já esteja em curso o processo de desmonte. “A manutenção já está toda nas mãos de terceirizados”, informou ele.

O dirigente do Sindimetrô-RS aproveitou para convidar todos a participarem para uma carreata que será realizada no dia 16, que será realizada em homenagem aos colegas que morreram de Covid-19 numa categoria onde mais de 20% dos trabalhadores já foram contaminados.

“O desmonte da estrutura previdenciária representada pela venda de empresas como DataPrev e Serpro expressa o projeto capitalista do governo Bolsonaro, mas não só dele”. A opinião é de, Daniel Emanuel. Para ele, este é projeto está atrelado a uma profunda mudança nas relações de trabalho para aumentar a exploração dos trabalhadores. “Estamos no mesmo barco, trabalhadores do setor privado ou público, e a “uberização”, a precarização das relações de trabalho está acontecendo com todos. Temos uma enorme tarefa e essa reunião é de grande importância para garantir a unidade programática dos trabalhadores, para que apresentem uma alternativa, um programa de desenvolvimento para o país. Esta é a grande tarefa que teremos pela frente”.

A representante da Intersindical, Neiva Lazarotto, frisou que a Central está nesta luta fundamental em defesa do patrimônio público e da classe trabalhadora. “Está muito claro que a ofensiva num momento trágico como este de pandemia, visa a centralização do capital nas mãos de poucos que lucram como nunca, como o agronegócio e os bancos, o que deveria ser considerado um crime, especialmente por se tratar de estatais necessárias a um projeto de desenvolvimento soberano. A proposta é que esta seja uma plenária que vá acumulando forças para uma grande greve contra as privatizações. Estamos juntos, vamos resistir, mesmo com as dificuldades da pandemia, que tem levado muitos companheiros”, acrescentou.

Pela CSP/Conlutas, a professora Rejane de Oliveira, reiterou que nunca foi tão importante a unidade. “A privatização é um tema de todas as centrais. Temos que fazer a luta unitária, um esforço para construir juntas. Os ataques são muitos rápidos, ao serviço e aos servidores públicos e temos que ser rápidos para nos organizarmos”. Para a dirigente, a entrega do patrimônio público faz parte do capitalismo e seus gerentes são os governos que habitam esta política de forma contundente, usando artimanhas, atacando os direitos dos trabalhadores, sucateando os serviços públicos, para deixar o cenário mais fácil para apresentar a privatização. “Vamos insistir com a unidade do movimento sindical e popular para combater estas políticas de ataques aos serviços públicos e à população e mesmo neste momento de pandemia, precisamos buscar mecanismos para unificar as lutas”, disse ela.

O representante do Fórum Sindical e Popular, Érico Correa, destacou que é preciso superar as diferenças e partir para a ofensiva. “O momento dificulta aos trabalhadores tomarem às ruas, mesmo com o avanço da miséria, quando a situação de desespero toma conta da população. Enquanto isso, estão “passando a boiada” sobre o patrimônio público o que só vai piorar a vida da população. Assim, temos que construir uma grande ofensiva e lutar pela vacina, pela imunização em massa, que possibilitará tomar às ruas e mobilizar as massas para enfrentar estes governos”, acrescentou.

Ao final, foram abertas inscrições para os participantes do encontro colocarem seus questionamentos. Representantes dos bancários, da educação, do movimento estudantil, entre outros, falaram de suas áreas, denunciaram o desmonte e a precarização a que estão sendo submetidos os trabalhadores. Houve consenso no sentido da unificação das lutas contra as privatizações e pelo Fora Bolsonaro. “A vitória de um será a vitória de todos, assim como, a derrota de um será a derrota de todos”, sintetizou o diretor de Comunicação do SINTECT-RS em sua fala final.

Durante o encontro também foi definido:

– Colocar o tema da privatização na construção do 1º de Maio Classista;

– Participar da carreata do dia 16 do Sindimetrô-RS;

– Criar uma comissão organizativa para construir um calendário de lutas;

– Construir uma campanha unitária para discutir as privatizações com todas as categorias atingidas;

– Novo encontro com sinalização de data em 22 de abril.

Até o momento subscrevem o documento contra as privatizações as entidades SINTECT- RS Sindicato dos Trabalhadores dos Correios; FECOSUL – Federação dos Empregados no Comércio de Bens e de Serviços RS; Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS; Delegado Sindical da Carris- Afonso Martin; Sindppd/RS – Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados do RS; Sindimetrô- Sindicato dos Metroviários do RS; SINDISPREV-RS; SIMPE – Sindicato dos Trabalhadores do Ministério Público e as centrais sindicais CTB – CUT – CGTB – Intersindical – NCST – FS – CSB – UGT – CSP/Conlutas e Central Pública.

Assessoria de Comunicação

14/04/2021 19:13:17

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