Queremos a resposta – quem mandou matar Marielle Franco e Anderson?

A terça-feira (8), ironicamente o Dia da Justiça, marcou os 1.000 dias do assassinato sem solução da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes.

O crime brutal, ocorrido em 14 de março de 2018, no centro do Rio, interrompeu a vida de uma lutadora contra as injustiças e por diversas pautas sociais, como contra o racismo, a violência contra as mulheres, o fim das mortes pelo Estado nas favelas do Rio e serviu de inspiração para outras mulheres com origem pobre e de favelas como ela própria, trilharem o mesmo caminho. 

E o resultado ficou visível nesta eleição, com a eleição de um importante número de mulheres negras, muitas que já vem sendo ameaçadas apenas por ousarem seguir os passos de Marielle. Muitas vezes, as ameaças se concretizam. Somente neste ano, 90 políticos, entre eleitos e candidatos, foram mortos violentamente, num grave ataque aos direitos democráticos.  Aqui no RS foram eleitas quatro vereadoras e um vereador negros, e imediatamente saiu o resultado na eleição, começaram os ataques racistas, misóginos e outros nas redes sociais.

Os dois policiais militares suspeitos de assassinar Marielle estão presos, mas ainda não foram julgados e o caso continua cheio de dúvidas e situações sem respostas, sendo a principal, quem mandou matar a vereadora.

O diretor da Open Society para a América Latina, Pedro Abramovay, destacou em uma videoconferência, as ligações desses grupos paramilitares (as milícias) suspeitos de matar Marielle e de ameaçar outros parlamentares, com o presidente Jair Bolsonaro e sua família. O homem acusado de puxar o gatilho morava no mesmo condomínio do presidente Bolsonaro. E seu filho Flávio Bolsonaro, senador, empregou duas parentes de um obscuro ex-policial que foi interrogado pelo crime contra Marielle e levou seus segredos para a sepultura.

Segundo Abramovay, em alguns casos, há uma visão quase positiva desses grupos. “É como se aquela violência (a das milícias) fosse natural, reflexo de uma sociedade violenta, ignorando que os assassinatos políticos são mais graves para a democracia.” Para ele, a morte de Marielle foi, também, uma forma de dar um recado a quem quisesse seguir os passos dela. Acrescenta, ainda, que é o racismo que existe na política brasileira, que não aceita que essas mulheres possam estar em posições de poder.

Quem mandou matar Marielle, e por quê, é a pergunta que ecoa mil dias depois do assassinato da vereadora. E não irá silenciar, enquanto não tiver uma resposta.

Assessoria de Comunicação

C/Informações de El País

08/12/2020 21:02:49

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