Dia da Consciência Negra alerta para desafios na superação do racismo

Nesta sexta-feira dia 20 de novembro, é celebrado o Dia da Consciência Negra. A data é um importante momento para refletir sobre a prática do racismo que ainda está enraizada na sociedade e que tem, desde a eleição do governo Bolsonaro, se manifestado de forma ostensiva por alguns setores, especialmente na segurança pública, pela violência policial contra jovens negros, e nos números do desemprego.

Em 2019, segundo o IBGE, os negros foram os mais atingidos pela destruição dos empregos e cresceram no mercado informal de trabalho, representando 47,7% (contra 34,5% de brancos) do contingente nesta modalidade de trabalho.

Ainda de acordo com o estudo, entre as pessoas abaixo da linha de pobreza que ganham US$ 1,90 por dia (cerca de R$ 10), os negros representam 70% da população nesta faixa. A pobreza afetou ainda mais as mulheres negras.  Os negros são maioria entre os brasileiros que estão nas faixas de pobreza e extrema pobreza e moram com maior frequência em domicílios com algum tipo de inadequação.

As reformas trabalhistas, da previdência, os cortes nas políticas sociais e a crise político/financeira, agravada pela pandemia de Covid-19, atinge mais em cheio a população negra.

Quando o parâmetro é a desigualdade de renda, a população negra também está na pior posição. O Brasil é o 9º país mais desigual do mundo. Mas entre os que ganham menos, os negros predominam. Na fatia dos 10% da população com maiores rendimentos, estão 70,6% da população branca. Já entre os 10% com menores rendimentos estão 77% da população preta ou parda. E embora a extrema pobreza o governo Bolsonaro tenha aumentado 13,5%, ela aumentou mais entre a população negra.  A realidade é que a população negra ocupa mais espaço na informalidade, possui menos acesso à educação, ocupa as atividades com os mais baixos salários e a informalidade, têm menos acesso à programas sociais de renda e de saúde.

Passa da hora de mudar

Já passou da hora de mudar esta situação e garantir igualdade de oportunidades entre negros e brancos, numa sociedade não racista e com justiça social. Políticas afirmativas são necessárias para diminuir o fosso histórico existente no Brasil. É preciso conhecer a contribuição dos negros para a construção da Nação, reconhecer os heróis negros que contribuíram para as mudanças sociais e garantir um Estado que reconheça essas necessidades como um direito.

A eleição do último dia 15, quando várias candidaturas negras ocuparam legitimamente o espaço político dão sinais de que sim, é possível, necessário e urgente mudar. O que se espera é que a sociedade caminhe nesta direção, e não para o retrocesso, onde o próprio presidente da Fundação Palmares (entidade que leva o nome símbolo da luta dos negros por liberdade) não reconhece que existe racismo e quer o fim do movimento negro.

O SINTECT-RS tem uma história de combate ao racismo e reafirma sua luta contra qualquer forma de discriminação. Propõe a toda a categoria que, neste dia 20 – e em todos os dias do ano – seja feita uma reflexão que leve a ações concretas para acabar de vez com o racismo estrutural que exclui e mata.

Assessoria de Comunicação

19/11/2020 23:16:54

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