Em assembleia, trabalhadores de Correios votam retorno ao trabalho

Em assembleia realizada na tarde da terça-feira (22), os trabalhadores de Correios, em greve desde o dia 17 de agosto, decidiram pelo retorno ao trabalho a partir das 22h do mesmo dia 22.

37 DIAS DE RESISTÊNCIA

Com falas emocionadas, tanto os dirigentes como os participantes da assembleia, parabenizaram os lutadores, e frisaram a importância do movimento, considerado um dos maiores dos últimos anos na categoria de Correios. Lembraram dos colegas que ainda estavam na estrada, retornando de Brasília onde houve um dia histórico de resistência. “Uma greve para ficar na memória”, disseram alguns.

NOVELA DE MAU GOSTO

Foram muitas às críticas ao Judiciário, que apesar de reconhecer que nunca o órgão teve que julgar um dissídio que retirasse tantos direitos de uma única categoria, assinou em baixo do ataque da empresa, desmerecendo e fragilizando ainda mais a Justiça do Trabalho que, para os trabalhadores, há tempos tem tomado posições sempre favoráveis às empresas. Foi ainda destacada a participação das mulheres nesta luta. Na prática, com a decisão do TST, os trabalhadores terão uma redução média de 40% nos seus salários.

Para os trabalhadores, a derrota no TST representa que os verdadeiros privilegiados votaram para tirar os pequenos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, como se estes direitos fossem privilégios, numa total inversão de valores e situações.

Um dos dirigentes definiu a sessão do TST como uma “novela de mau gosto”, quando a posição do relator fica submetida aos demais o que, para ele, apenas depõe contra a própria Justiça do Trabalho, que vem decidindo sucessivamente de forma injusta. “Os trabalhadores estavam apenas reivindicando a condição humana e seus postos de trabalho, sequer estavam reivindicando aumento salarial, mesmo assim foram roubados em 35 anos de direitos agregados ao Acordo Coletivo”, ponderou o dirigente.

De fato, a ministra relatora do caso, a juíza Kátia Arruda, defendeu a manutenção de todas as cláusulas do acordo coletivo, que duraria até 2021, criticou a postura dos Correios pela falta de negociação, e reconheceu que a empresa tem registrando lucro. Mesmo assim, a tese que acabou vitoriosa foi do ministro Ives Gandra Filho, que determinou a manutenção apenas das cláusulas do acordo que não oneravam a empresa. 

Outro dirigente frisou que milhares de trabalhadores do Correios assistiram que um órgão que deveria proteger os direitos dos trabalhadores, tem sistematicamente atendido aos interesses empresariais.

O tribunal decidiu que a greve não foi abusiva e concedeu reajuste de 2,6% à categoria e, por 4 votos a 3, o TST decidiu que a empresa pode manter as nove cláusulas e mais 20 itens do acordo coletivo, além de alguns pontos previstos na Constituição. Quanto aos dias de greve, metade será descontado dos salários dos grevistas e a outra metade terá que ser compensada. Além disso, decidiu que caso os trabalhadores não voltassem ao trabalho, os sindicatos seriam multados em R$ 100.000 por dia.

DEMONSTRAÇÃO DE FORÇA

Um dos grandes momentos de demonstração de força da greve foi o ato realizado em Brasília no dia 21, dia do julgamento do TST, reunindo mais de três mil trabalhadores de todo o país. O RS teve uma delegação representando os trabalhadores gaúchos que encarou mais de 60 horas de viagem e percorreram cerca de 5 mil quilômetros em poucos dias dentro de um ônibus para mostrar que o RS estava – como sempre esteve – na luta da categoria.

Durante a estada em Brasília, foram realizados atos, caminhadas e os trabalhadores se concentraram em frente ao prédio do TST na tarde de segunda, onde acompanharam o julgamento por um telão.

UMA GREVE REPLETA DE SOLIDARIEDADE

Outro ponto destacado nas falas foram os momentos de solidariedade protagonizado pelos grevistas. Foram diversas as ações de arrecadação de alimentos, roupas e produtos de higiene e distribuição em comunicadas carentes e instituições que tendem pessoas de grupos de risco. Um destaque foi feito à ação em Torres, em benefício da Menina Isa, com a triagem de toneladas de tampinhas para arrecadar fundos para comprar a medicação da menina que tem um tipo de atrofia rara e que necessita de um remédio que é o mais caro do mundo.

MAIS UM PASSO PARA A PRIVATIZAÇÃO DO CORREIOS

A decisão no TST dia 21 foi mais um passo concreto para a privatização do Correios, infelizmente com o aval de ministros do Tribunal. Aliás, projeto que nem o governo Bolsonaro e nem o presidente da empresa, com seu salário de 47 mil reais por mês escondem.

A LUTA CONTINUA

Apesar do resultado no TST, a avaliação geral foi de que a greve foi um grande e forte movimento de unidade e demonstração de força, capaz de ser balizador para outras categorias e, também, de que a categoria tem todas as condições de continuar na luta. Uma luta que será necessária para defender a empresa de ser privatizada, que continuará por melhores condições de trabalho e preservação da vida em tempos de pandemia e para reconstruir o acordo coletivo.

Neste sentido foi destacado que será fundamental manter o Sindicato forte com a participação dos trabalhadores. A sustentação política e financeira da entidade dependerá cada vez mais dos trabalhadores. O Sindicato, apesar de todas as tentativas da empresa e do governo de acabar com as entidades sindicais, continuará fazendo a luta e dando toda a assistência aos trabalhadores, tanto no sindicato como nos locais de trabalho. Abandonar a luta e o Sindicato neste momento, é facilitar a venda da empresa, com as consequentes demissões e a retirada de mais direitos.

Antes da votação foi informado ainda que na quinta-feira, dia 24, será realizada uma live com todos os trabalhadores para mais informações sobre o ACT e a decisão do TST. Foi ainda lembrado que apesar da decisão do TST os chefes não podem tudo. Qualquer abuso deve ser imediatamente denunciado ao Sindicato.

Confira a assembleia na íntegra no facebook do Sindicato. 

Assessoria de Comunicação

22/09/2020 23:43:57

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