“Ataque muito grande, é o fim do ACT”, alerta SINTECT-RS em live

Na live realizada na sexta-feira (7), o SINTECT-RS reafirmou aos trabalhadores a gravidade do momento e fortaleceu o apelo à categoria para, no dia 17 de agosto, realizar a maior greve da sua história. “O ataque ao nosso ACT é muito grande, é praticamente o fim do Acordo” alertaram os dirigentes sindicais que participam da live, Alexandre e Evandro. Assim como nos demais encontros virtuais, outros diretores do Sindicato apoiaram na estrutura e no encaminhamento e respostas aos trabalhadores que participavam do encontro no facebook do SINTECT-RS.

Eles iniciaram justificando a troca de dia da realização da live de quinta para sexta-feira em função do falecimento do companheiro de luta do grupo de anistia, “Seu Éder”. Além dele, lembraram o colega Reno Schenato, de Caxias do Sul, que também faleceu na semana.

Em seguida fizeram um relato da reunião de delegados e ativistas realizada na segunda-feira, para tratar da campanha salarial que teve a participação de mais de 50 trabalhadores e trabalhadoras.

Confundir e enganar a categoria

Ao entrar no tema da campanha salarial, os dirigentes destacaram a estratégia da gestão da empresa de confundir e enganar a categoria. Referiam as tentativas de vender a ilusão de que somente com o que está na legislação estarão garantidos, como se o ACT não desse qualquer garantia ao trabalhador. “O negociado se impõe sobre o legislado, desde que não prejudique os trabalhadores. Portanto o Acordo negociados com as representações da categoria tem sim a mesma ou maior validade que a lei”, esclareceram.

Alertaram ainda que a legislação pode ser alterada a qualquer hora, como ficou demonstrado com as reformas trabalhista e as sucessivas Medidas Provisórias publicadas pelo governo.

Informaram que a empresa fez 5 Portarias para dizer como vai ficar o Acordo. A assinatura do presidente da empresa consta no documento no dia 30 de julho, portanto, nem havia ainda vencido o ACT. E isso sem qualquer negociação com os trabalhadores. “Não são concursados e ganham altos salários para sacanear os trabalhadores”, disseram, chamando a atenção de que é muito perigoso o trabalhador achar que será regido por Portarias.

Falta transparência

A empresa também tenta vincular os direitos dos trabalhadores aos resultados financeiros da empresa, o que é impossível de ser feito, frente a falta de transparência da gestão. Os dados são maquiados até para não transparecer, por exemplo, os desvios de algumas agências franqueadas, ou os altos salários pagos a gestores que sequer são concursados.

Para o Sindicato é preciso dar conhecimento aos problemas de gestão da empresa e mostrar que com o Correio bem gerido, não há empresa que consiga atender ao país como a estatal, com a sua logística, experiência, capilaridade, e outras questões acumuladas ao longo de 350 anos de existência. Mas, ao invés disso, a gestão prefere fechar agências, fechar centros de distribuição, amontoar pessoal nos CDDs, provocar apagão postal, abusar das horas extras e outras mazelas. Para o Sindicato, tudo muito bem pensado para, junto com o desmonte do ACT, privatizar mais rapidamente a empresa.

Além disso, a entidade criticou as ações da empresa na imprensa para atacar a imagem dos trabalhadores, chamando direitos de privilégios e tentando vender a ideia de que a greve anunciada pela categoria é um movimento para defender estes “privilégios”.

Dia 18, vamos parar o Correios

Nos próximos dias, o Sindicato mobilizará a categoria para a greve agendada para o dia 18 de agosto com objetivo de defender os direitos. Para isso, visitará alguns locais de trabalho e faz um apelo para que os trabalhadores conversem com os colegas e se organizem para participar do movimento.

O SINTECT-RS também tem procurado apoio de outras categorias e centrais sindicais para fortalecer o movimento que também é em defesa do Correios como empresa pública.

A luta é tanto dos trabalhadores em atividade, como dos aposentados.

Sindicato é importante sim

As conquistas que estão sendo retiradas agora pelo governo e pela empresa, foram conquistas de muitos anos de luta, com grandes greves feitas pela categoria e organizadas pelo Sindicato. Não por acaso, Bolsonaro e os gestores do Correios, assim como em outras estatais, tentam, de todas as formas, fragilizar e até fechar os sindicatos.  Frisaram que a primeira vitória da empresa será destruir o Sindicato, porque assim, os trabalhadores ficarão sem ter como se organizar para resistir e sem a sua principal ferramenta de luta. Tanto que todas as  cláusulas que dizem respeito aos sindicatos são abolidas com a clara intenção de acabar com a entidade.

Neste sentido, reiteraram que é fundamental os trabalhadores se sindicalizarem e participarem das atividades realizadas pela entidade. 

Não há como desvincular o que está sendo feito no Correios do governo – a gestão da empresa apenas segue as diretrizes de um governo que é inimigo dos trabalhadores e que está empenhado em tirar todos os direitos da classe trabalhadora.

“O Correios tem mais de 350 anos e é a maior empregadora do País. Tem trabalhadores com mais de 40 anos de empresa sendo desrespeitados por um general carguista, cuja tarefa é destruir o Correios e que está levando a empresa para o buraco. Precisamos entender que se nada for feito será “passada a boiada” no nosso Acordo Coletivo. A destruição começou com a reforma trabalhista e agora querem impor o que sobrou da CLT para os trabalhadores do Correios. Lá atrás se aleijou os trabalhadores com as mudanças na CLT e agora estas mudanças estão sendo impostas aos acordos coletivos”, alertou o Sindicato.

Para quem nunca entrou em greve, chegou agora o momento. Não se trata, mais de defender esta ou aquela cláusula, mas de defender todo o acordo e os próprios empregos.

Assessoria de Comunicação

09/08/2020 22:45:00

Pin It on Pinterest