Retirada de direitos dos trabalhadores agravam situação frente a Covid-19

Um estudo publicado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), mostrou números que descrevem um desastre entre os trabalhadores: 1,6 bilhão de pessoas estão com as rendas de subsistência comprometidas devido à crise do coronavírus – e esse dado não engloba seus dependentes –, o que representa 50% da força de trabalho global. O relatório foi divulgado no último dia 29 de abril e é a terceira edição do “Monitor da OIT: Covid-19 e o mundo do trabalho”.

O estudo mostra um agravamento, sobretudo nas América Latina e África, na perda da renda no mês de abril. Por outro lado, constata-se uma retomada das atividades de trabalho alavancada pelas mudanças nas medidas de isolamento na China.

A perda na atividade econômica coloca em risco de interrupção as atividades de 436 milhões de empresas dos setores mais afetados com a crise (indústria manufatureira, hotelaria, restaurantes, comércio varejista e atacadista, atividades imobiliárias, entre outros), mas os dados mais preocupantes referem-se aos trabalhadores informais – isso é, 2/3 dos trabalhadores do mundo. A OIT calcula 2 bilhões de trabalhadores informais no mundo, sendo que, destes, 1,6 bilhão já sofre com uma perda severa da renda. Essa estatística agrava-se na América Latina e África, que somam 81% dos trabalhadores informais com renda abaixo da subsistência desde o início da crise.

O organismo projeta que, em abril, trabalhadores informais desses continentes tenham perdido, em média, 84% da sua renda em comparação ao período anterior, de 2016 a 2019.

A consequência imediata pode ser visualizada na taxa de pobreza relativa, isso é, um aumento de 56% no número de trabalhadores com renda inferior à metade da renda média da população.

A OIT cobra respostas imediatas dos governos.

Para a entidade deve ser prioritário o investimento na saúde universal, mas é necessária uma atenção especial aos trabalhadores informais e pequenas empresas, assegurando políticas de proteção social e crédito financeiro. Para isso, faz-se necessário uma política fiscal ativa e uma política monetária flexível para manter o dinheiro em circulação.

Os alertas sobre o trabalho informal sempre apontavam o desastre e a desigualdade. As transformações no mundo do trabalho conduziram sobretudo os países do Terceiro Mundo para esse caminho, com flexibilização das leis trabalhistas somadas a falta de investimento na indústria e pesquisa de novas tecnologias.

Assessoria de Comunicação

C/Informações do IHU

06/05/2020 17:29:43

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