Live do SINTECT-RS aponta ações da entidade e orienta trabalhadores

O SINTECT-RS realizou, na quinta-feira (23), a primeira live da entidade. A iniciativa é mais uma forma de manter a comunicação e o diálogo com a categoria neste momento de isolamento social exigido pela pandemia de coronavírus.

A live contou com a participação do secretário-geral do Sindicato, Alexandre Nunes, e do secretário de finanças da entidade, Evandro Leonir, além do apoio fundamental de outros diretores que ficaram monitorando a transmissão, respondendo perguntas e apoiando para que tudo ocorresse de forma a contemplar a categoria.

Já nas primeiras falas, o secretário-geral destacou que a resistência a pandemia é constante e por isso há imperiosa necessidade de que, quem pode, fique em casa. O dirigente também criticou as ações do governo, que vem minimizando a gravidade da pandemia, questionando o isolamento e frisou que é fundamental que os trabalhadores não aceitem esta postura irresponsável.

Em seguida, destacou a intensa luta do sindicato para preservar e garantir a proteção aos trabalhadores, o que vem ocorrendo desde janeiro, quando ainda sequer existiam casos divulgados no Brasil.  “Em janeiro questionamos os Correios sobre as medidas de proteção à vida dos trabalhadores, tendo em vistas as encomendas vindas da China e cobramos as vacinas para a gripe Influenza (H1N1), solicitando que os trabalhadores fossem colocados como prioridade para a vacina”, esclarece Alexandre.

Ele também criticou a postura do governo e do presidente da empresa, que alardearam a privatização da empresa e agora, quando interessa, resolveram que o Correios é essencial. “Nós sempre reconhecemos a empresa como essencial, tanto que defendemos que a malha postal seja colocada à serviço do combate a pandemia e das necessidades do povo brasileiro, como entrega de medicamentos, exames, testes e outras questões ligadas ao combate ao coronavírus. Mas também defendemos que acima de tudo está a vida dos trabalhadores”, ponderou ele.

Alexandre esclareceu que o Sindicato está atuando nesta linha, defesa da categoria “mas infelizmente a empresa só enxerga os lucros, querendo ampliar contratos, empolgada com as compras pela internet e exigindo que a empresa funcione como se tudo estivesse normal, num período de exceção, sem o mesmo número de funcionários e com a ameaça de um vírus que está nas ruas matando”, disse. Até o momento, seis trabalhadores de Correios já morreram no País em função da Covid-19.

Já o secretário de finanças, Evandro Leonir, frisou que o SINTECT-RS continua lutando na proteção dos trabalhadores. Citou as ações junto ao Ministério Público do Trabalho, as audiências de conciliação no TRT-4 e a liminar da Fentect. “Mas para proteger os trabalhadores, o isolamento tem que ser mantido. Não aceitem a pressão das chefias. Os trabalhadores devem denunciar ao Sindicato este assédio. Não é o gestor que vai para as ruas”, lembrou ele.

Evandro também listou outras ações da entidade, como exigir álcool em gel, máscaras e luvas (caso o serviço exija), para proteger os trabalhadores que estão em atividade. “Não saiam para as ruas sem máscaras e se não tiverem segurança. O trabalhador está nas ruas, mas tem a família em casa. A vida está em primeiro lugar”, acrescentou.

O dirigente lembrou, também, que existe uma liminar da Federação protegendo os trabalhadores e que o trabalho aos sábados deve ser através de duas convocações e um convite, sendo que as folgas devem se dar imediatamente após o fim de semana trabalhado.

Pressão total

Em função das perguntas feitas pelos trabalhadores durante a live, que contou com uma boa participação on line, alguns temas foram retomados pelos dirigentes. Um deles diz respeito a situação da pressão que estão sofrendo os trabalhadores que estão em home office, em função de fazerem parte do grupo de risco, terem familiares neste grupo em casa ou os filhos estejam com as aulas suspensas. Neste caso, a orientação foi de que ninguém assine qualquer tipo de autoconvocação ou questionário. Reiteraram a necessidade de manter o isolamento para estes e buscar o isolamento também para muitos que ainda estão na ativa.

Reiteraram que não cabe a empresa decidir se o trabalhador pode ou não trabalhar. Existe uma liminar da Federação que está em pleno vigor garantindo estes trabalhadores. Mas é importante que a categoria informe ao Sindicato por telefone ou whatsapp as pressões da empresa para que a entidade tome as medidas necessárias.

Canto da Sereia

Os dirigentes também chamaram a atenção para que os trabalhadores não caiam no “canto da sereia” dos gestores, que estão querendo vender a ideia de que “se todos trabalharem com afinco, vamos mostrar que a empresa ajudou a economia nacional e vamos sair da lista das privatizações”. Isso não é verdade, tanto que nesta semana, o presidente do BNDES numa live conversando com empresários e jornalistas, reafirmou que o processo de privatização, inclusive dos Correios, será retomado assim que passar a situação de pandemia.

Para os trabalhadores, o importante é mostrar para a população a importância do Correios para atender as necessidades frente a uma situação de pandemia, cumprido com sua função social de empresa pública e colocando sua malha com abrangência nacional a serviço da sociedade.

Ainda respondendo a perguntas, o Sindicato esclareceu que já solicitou à empresa para que sejam feitos testes da Covid-19 e a vacinação contra o H1N1 em todos os trabalhadores. Mas a empresa está dificultando ao máximo estas demandas. O SINTECT-RS continuará buscando o atendimento destas reivindicações.

Sobre os descontos, a informação foi de que, infelizmente, a empresa ganhou liminar permitindo os descontos dos adicionais, que virão já no contracheque de abril. Sobre a venda dos 10 dias de férias, a empresa informou que desde 13 de abril não compraria mais estes dias, mas no entendimento do Sindicato, esta determinação só vale para quem ainda não tinha negociado. Os acertos feitos antes da determinação não devem ser atingidos por ela.

Sobre os cursos para quem está em home office, é de que eles sejam feitos, preferencialmente, no horário de trabalho.

Importância da unidade

A exemplo de outros países e levando em conta a irresponsabilidade com que o governo vem tratando a questão da pandemia, a perspectiva do Sindicato é de que a situação pode se agravar. Neste sentido, o Sindicato continuará buscando medidas de prevenção aos trabalhadores. “A empresa age de forma negligente e atrasada. Temos que estar de olho nas medidas e fazendo muita pressão para que ela forneça os EPI’s necessários para que os trabalhadores manipulem os objetos continuamente, como álcool em gel, máscaras, luvas, controle de filas, isolamento dos guichês, sem convocações para finais de semana e feriados, entre outras iniciativas.

Também está começando a ser construída na base uma greve ambiental, caso seja necessária, para proteger a vida. “A gente não pode tirar o olho disso, tem que ser uma discussão séria e bem encaminhada e para isso é fundamental a nossa unidade”, disse Alexandre.

Confira AQUI  live na íntegra. 

Assessoria de Comunicação

24/04/2020 12:04:38

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