ESPANHA: Trabalhadores dos Correios têm sete vezes mais chances de ter coronavírus

Matéria relativa aos trabalhadores do Correos de Madri/Espanha, aponta que o trabalhador dos Correios tem probabilidade de se contaminado pelo Covid19 sete vezes mais que qualquer outra categoria, ficando atrás apenas dos serviços de saúde e de segurança pública.

O Correios da Espanha, sociedade anônima com capital 100% público, é um dos grupos de trabalho com maior número de contágios por meio de covid19.

“A maneira mais fácil de vê-lo é matemática.” Virginia Hidalgo, funcionária dos Correios em Madrid e membro da CGT, faz as contas: para cada mil pessoas que vivem na Espanha, até agora há 2,67 que deram positivo para coronavírus. Se for feita a mesma contagem com os cerca de 50 mil trabalhadores que compõem os funcionários dos Correios, o número chega a mais de 15 infectados por mil trabalhadores. Eles são sete vezes mais infectados do que a média populacional. “A empresa pode dizer o que quiser, a matemática é irrefutável”, ressalta Hidalgo.

O correios espanhol tem uma força de trabalho de 50.000 trabalhadores. Some-se a eles os trabalhadores informais, que podem chegar a 20% da força de trabalho total e que trabalham principalmente em campanhas como o Natal. Desses trabalhadores, pelo menos 785 testaram positivo para coronavírus e outros 2.144 estão em quarentena desde 3 de abril, segundo dados da CGT. Esses são os números de uma das empresas públicas mais afetadas pelo covid19, atrás apenas da saúde pública e da aplicação da lei estadual — se somarmos os números de policiais nacionais, policiais autônomos, guarda civil e polícia local — e três vezes mais do que o Exército.

O Decreto 10/2020, com o qual o Governo restringiu a atividade de trabalho durante o estado de alarme dos setores essenciais, incluiu os Correios na lista. “No início, o primeiro problema era que, por ser uma atividade em que grande parte do pessoal trabalha na rua, não havia meios de proteção, máscaras ou luvas ou qualquer coisa”, explica El Salto Juan Carrique, advogado da CGT. “Houve muito conflito e da CGT, com base na Lei de Prevenção de Riscos Ocupacionais, dissemos que a atividade deveria ter sido suspensa. Houve muitas paralisações determinadas pelos próprios trabalhadores, e às vezes por representantes sindicais, mas não foram afetadas pela Inspetoria do Trabalho”, continua. “Tem sido como um pesadelo em nossas vidas”, diz Hidalgo. “Fomos enviados como se fôssemos infantaria de guerra para a rua sem praticamente nenhuma informação, ou informações falsas sobre EPI. O diretor nos enviou uma carta dizendo que as máscaras eram inúteis”, disse um trabalhador do Correios.

Assessoria de Comunicação

C/Informações do jornal El Salto (https://www.elsaltodiario.com/)

13/04/2020 18:33:57

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