Trabalhadores dos Correios no RS decretam greve por tempo indeterminado

Os trabalhadores de Correios do RS deliberaram, em assembleia realizada na última terça-feira (10), em Porto Alegre e em todas as subsedes no interior do Estado, entrar em greve por tempo indeterminado, a partir das 23h do dia 10 de setembro, mesma data da realização da assembleia.

A mesma decisão foi tomada pelos 36 sindicatos das bases das Federações nacionais (Fentect e Findect), que também decretaram greve em todo o país.

O movimento paredista é contra a intransigência da empresa na negociação, que há mais de 40 dias não recebe a representação dos trabalhadores, contra o desmonte do Acordo Coletivo tentado pela ECT e contra a privatização da estatal, por um Correio 100% público.

No início da assembleia, os dirigentes fizeram um relato da situação da negociação e do momento político e lembraram que não só o Correios, mas diversas estatais, estão ameaçadas de privatização. O processo, acrescentaram eles, inicia com o desmonte dos acordos coletivos, com o claro objetivo de entregar a empresa “mais enxuta” para os possíveis compradores.

Foi lembrado que somente o Correios público consegue atender aos mais de cinco mil municípios no Brasil e é a única estatal e banco (com o Banco Postal) que existe em muitos lugares. Se privatizar, o estado estará completamente ausente de muitos municípios e a população estará jogada a sua própria sorte.

Sobre a greve, alertaram que a própria empresa forçou o movimento com sua postura de descaso com a negociação e com a eliminação, no ACT, de diversa cláusulas importantes para a categoria, além da sua negativa em não concordar com a proposta do TST de prorrogar o acordo por mais 30 dias para dar andamento à negociação.

Hora de lutar

Durante as falas dos trabalhadores o grande ponto destacado foi que se tratava do momento de unidade e de luta. Para os ecetistas, não se trata de uma negociação apenas pelo reajuste salarial, mas por muito mais. Trata-se de garantir todos os direitos que constam no Acordo Coletivo, de defender os empregos dos trabalhadores de Correios e garantir que a empresa continue existindo, como uma empresa pública.

Segundo a categoria, a única forma de manter o Correios forte e com o grau de satisfação e credibilidade que tem junto à população, conquistado pela qualidade e confiabilidade do serviço, é mantendo a empresa estatal. Alertaram que a privatização, a exemplo de outras estatais já privatizadas, apenas aumentará a tarifa e retirará a empresa dos locais mais distantes dos grandes centros, precarizando ainda mais os serviços, principalmente nos bairros mais pobres.

Todos os Estados em greve

Até o final da assembleia, a maioria dos sindicatos do país (36 ao total), haviam entrado em greve. E nas primeiras horas da madrugada houve a confirmação de que todos estão em greve. Esta unidade fortalece o movimento e é a única alternativa frente às pretensões do governo e da empresa de desmontar o ACT e privatizar a estatal.

Apoio de outras categorias

Presente à assembleia, o representante dos metroviários, prestou sua solidariedade e frisou que o momento é de lutar de forma unificada. O sindicalista representava os trabalhadores da Trensurb, que também já teve a privatização anunciada pelo governo federal.

Comando de greve

Depois de votar pela greve, no final da assembleia, foi constituído um comando de greve que estará à frente da organização do movimento. O objetivo é realizar uma greve forte, unitária, que possa garantir a manutenção dos direitos e barrar a privatização da empresa.  

Agenda de atividades da quarta-feira, dia 11

– 8h – concentração em frente aos locais de trabalho

– 10h30 – concentração em frente ao prédio Sede, no centro

– Montado piquete na Sertório.

Confira fotos da assembleia AQUI

Assessoria de Comunicação

11/09/2019 11:49:34

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