O que destrói a empresa não é a greve, é o descaso dos gestores e do governo

Na assembleia para tratar da campanha salarial realizada em Porto Alegre e nas subsedes dia 3 de setembro, a categoria deliberou por manter o estado de greve e realizar nova assembleia com indicativo de greve a partir das 23h do dia 10 de setembro.

Durante a assembleia os dirigentes destacaram que todas as negociações são difíceis, mas nesta a empresa tem feito questão de  se posicionar contra qualquer alternativa de negociação, inclusive não se manifestando no prazo determinado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) para prorrogação do Acordo, cujo órgão ela mesmo pediu a mediação. Isso, segundo os dirigentes, deixa clara a intenção da ECT de cortar direitos, tanto que ela está alardeando que com o vencimento do Acordo, ficam valendo as regras da CLT ou do edital de concurso dos servidores.

Por fim, informaram que pela primeira vez numa negociação, a empresa cancelou reuniões sindicais sem qualquer justificativa, cortando o acesso do Sindicato aos trabalhadores nos locais de trabalho. E concluíram: “estão empurrando a categoria para a greve”.

Privatização é um projeto político

Quanto ao discurso de que as greves da categoria estão entre os motivos da privatização, os diretores do SINTECT-RS alertaram a categoria de que se trata de uma estratégia sacana da empresa, uma mentira com a intenção de desmobilizar e patrolar os direitos dos trabalhadores. O desmonte do acordo coletivo é um requisito para privatizar mais facilmente a empresa e entregar ela mais enxuta, do ponto de vista do acordo coletivo, para o setor privado.

É preciso que todos entendam que a privatização tem a ver com um projeto político de entrega da riqueza e do patrimônio dos brasileiros para grupos internacionais. Manter o acordo com todos os direitos conquistados, é dificultar a privatização. Não tem nada a ver com greves, que é um direito garantido constitucionalmente e que foram necessárias frente aos sucessivos ataques de governos e de gestores aos direitos da categoria.  

Não é hora para desânimo

Nas falas dos trabalhadores, foi destacado que o momento é muito sério e grave e lembrado que todos serão afetados, incluindo os gestores que hoje tentam pressionar os trabalhadores contra as mobilizações. Houve um apelo no sentido de que todos participem da luta, que ultrapassa a questão salarial, mas que se trata, na verdade, de defender a empresa, os direitos de todos os cerca de 90 mil trabalhadores de Correios, independente do cargo (atendentes, OTTs, carteiros, administrativos e outros dos ensinos médio e universitário) e de manter a empresa pública, com manutenção dos empregos de todos. E mandaram um recado aos colegas: não é hora de desânimo.

Ao contrário, é hora de lutar ainda mais e se esta luta não contar com todos, junto com o Sindicato, não há garantias de manter as conquistas da categoria.

Também frisaram a necessidade de que os trabalhadores olhem todo o Acordo Coletivo e que vejam tudo que será perdido se ele não for renovado, ou seja, se passarem a ser regidos pela CLT apenas, ainda mais depois da reforma trabalhista de 2017. Foi lembrado que as trabalhadoras serão ainda mais afetadas, já que muitas cláusulas dizem respeito a benefícios para a mulher trabalhadora.

Por fim questionaram: se este não é o momento de brigar, quando estão sendo retirados todos os direitos e caminhando para a privatização da empresa, isso depois de todos os ataques sofridos, então quando será o momento?

Os trabalhadores presentes à assembleia reiteraram que a categoria deve exigir das federações (Fentect e Findect), que de fato se construa uma greve forte e unitária para o dia 10 de setembro.

Encaminhamentos

No final, foram aprovados os seguintes encaminhamentos:

– manter o estado de greve;

– realizar nova assembleia dia 10 de setembro, com indicativo de greve para às 23h do dia 10;

– construir uma cartilha sobre a privatização;

– participar da audiência pública sobre a privatização dos Correios segunda-feira, às 18:30, na Sala João Neves da Fontoura – Plenarinho (3º andar da Assembleia Legislativa do RS);

– enviar emails para deputados federais e senadores contra a privatização dos Correios;

– fortalecer as mobilizações e construir um grande movimento para o dia 10 de setembro.

Assessoria de Comunicação

04/09/2019 11:12:25

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