TRABALHADORES DOS CORREIOS NO RS DECRETAM GREVE: “ESSA AQUI É A GREVE”, DIZ CATEGORIA EM ASSEMBLEIA

TRABALHADORES DOS CORREIOS NO RS DECRETAM GREVE: “ESSA AQUI É A GREVE”, DIZ CATEGORIA EM ASSEMBLEIA

Em assembleia realizada na quinta-feira (10), os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios do Rio Grande do Sul decretaram greve por tempo indeterminado. A categoria denunciou o pacote de ataques da direção da empresa, que inclui ameaças ao plano de saúde, o fim do ponto por exceção, a extinção do cargo de carteiro, a retirada de adicionais e o fechamento de unidades em todo o Estado, entre outras questões.

“A gente vem sofrendo ataques no último período. A empresa passa por cima da categoria, não respeita nenhuma decisão. Mas nada do que a gente tem, a gente ganhou de graça. Foi na luta, e mais uma vez é necessária a nossa força, a nossa resistência”, afirmou uma das dirigentes sindicais durante a assembleia.

RELATOS CONTUNDENTES

Os relatos são contundentes. A empresa apresentou uma proposta de Acordo Coletivo de Trabalho que retira direitos históricos e não garante sequer a manutenção do Correios Saúde nos moldes atuais.

A empresa, acusaram os trabalhadores, só quer fazer pagamentos subsidiários no plano de saúde. Hoje, a categoria paga 38% dos gastos e a empresa paga 62%. Eles não querem mais pagar isso, denunciou a direção sindical. Tanto que foi destacado que o texto da cláusula apresentado pela empresa retira a palavra “mantenedora”, que sempre garantiu o compromisso da empresa com o custeio do plano.

Os dirigentes denunciaram que a empresa vem dizendo que irá manter o plano de saúde intacto, mas é mentira. Esta garantia é só por 120 dias, o prazo de funcionamento de uma Comissão que a gente já viu que não dá em nada.

Além disso, a empresa quer acabar com o ponto por exceção, medida que pode representar, na prática, uma importante redução na remuneração dos trabalhadores. “O fim do ponto por exceção caminha junto com a extinção do carteiro”, alertou a direção.

ESTRUTURA SENDO DESMONTADA

Os relatos feitos na assembleia apontam para um processo de reestruturação que está desmontando a empresa por dentro. “A gente vê fechamento de unidades, trabalhador sendo amontoado em locais sem condição de trabalho. Mais unidades vão ser fechadas. O que vai ser do pessoal destas unidades?”, questionaram.

Os atendentes também já sentem os impactos. “Nem fechamos o Acordo Coletivo e eles já estão com valores menores nos salários, porque perderam o adicional de quebra de caixa. A empresa alega que só 15% das atividades são feitas com dinheiro. Nosso problema não é só fechar o acordo, é ver como ficam estas questões.

GOVERNO LULA E A RESPONSABILIDADE COM OS CORREIOS

A assembleia também cobrou responsabilidade do governo federal diante da situação da empresa.

“A empresa pegou R$ 12 bilhões no ano passado. Tem cabimento uma empresa que pegou R$ 12 bilhões ter viaturas, motos e unidades nas condições em que estão? Não tem justificativa. E a gente só vai conseguir gritar forte sobre o que está acontecendo entrando em greve”.

Os dirigentes lembraram que o governo Lula retirou os Correios da lista de privatizações, mas ressaltaram que agora é preciso investir e fortalecer a empresa pública.

Também denunciaram o avanço das terceirizações e a substituição de trabalhadores concursados por terceirizados. Para a categoria, esse processo não representa valorização nem dos Correios nem de seus trabalhadores e trabalhadoras.

A direção sindical foi enfática: “É um absurdo e é vergonhoso. Por isso, a gente não tem que ter vergonha de lutar. Quem tem que ficar com vergonha são esses caras que fazem esse tipo de coisa. Nós queremos Correios públicos, estatais e de qualidade. E não é isso que o Rondon [presidente dos Correios] está nos oferecendo.”

A GREVE É AGORA

“Não pode ser que a gente, num momento tão grave, faça qualquer tipo de greve. Não é mais uma greve. Essa aqui é A GREVE!”, bradou a direção.

O Sindicato convocou todos e todas a vestirem a camiseta dos Correios, irem para a frente das unidades, fortalecerem as mobilizações e dialogarem com os colegas que ainda não aderiram ao movimento sobre a importância desta greve.

A categoria também denunciou o que classificou como uma tentativa da empresa de confundir os trabalhadores ao divulgar cartazes afirmando que concedeu 30% de reajuste entre 2022 e 2025. Segundo os dirigentes, considerando a inflação acumulada no período, o ganho real teria sido muito inferior ao percentual divulgado pela empresa. “E isso para uma categoria que enfrentou a pandemia trabalhando, que esteve na linha de frente nas enchentes do RS e que atendeu milhões de aposentados durante a crise envolvendo os descontos indevidos no INSS. Agora querem usar esses números para justificar dois anos de salário congelado. Estão mentindo para a categoria”, criticaram.

UNIDADE DOS ECETISTAS

A assembleia foi concluída com um forte chamado à unidade. “A gente precisa construir a unidade da nossa categoria. Só assim conseguiremos atingir nossos objetivos. Essa é a nossa luta. A gente está lutando contra a direção da empresa, que tem um plano de reestruturação focado em cima do trabalhador. A gente está lutando contra um governo que deu carta branca para fazer qualquer corte em cima dos trabalhadores.”

A greve está decretada. A categoria está nas ruas. Os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios do RS dizem BASTA.

Agora é hora de ampliar a mobilização em cada unidade, conversar com cada colega e construir uma paralisação à altura do momento que a categoria enfrenta. Repetindo: Esta não é somente mais uma greve. Essa aqui é A GREVE!

Fora Rondon!

Presidente Lula, invista nos Correios!

Assessoria de Comunicação
10/09/2026

GALERIA DE FOTOS DA ASSEMBLEIA

Nara Soter

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