Sartori e o Natal do funcionário público

Acabou a primeira fase do massacre na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

Foram quatro noites de caça ao funcionário público.

A oposição e parte da base rebelada (PDT) lutaram para salvar algo.

Perderam. Até quando ganharam.

O governador José Ivo Sartori fez sua escolha: fazer o funcionalismo pagar mais (contribuição à previdência) para que o grande empresariado pague menos (impostos). Governo dos ricos para os ricos e pelos ricos. Plutocracia.

Até a última hora o governo reteve a entrega ao Ministério Público, por decisão judicial, da caixa preta das isenções fiscais, que ultrapassam em três vezes o déficit anual do Estado. Uma bolsa-rico protegida a sete chaves.

Resumo do massacre: o funcionalismo levou bombas na praça da Matriz, teve helicóptero voando baixo com arma apontada para os manifestantes, viu seus empregos serem extintos, junto com suas instituições, e foi culpado pela crise. Em lugar de mostrar a realidade dos incentivos a empresários, inclusive os criados pelo PT, o governo Sartori sentou-se em cima do material sagrado. Quando algum deputado governista foi à tribuna, contrariando a estratégia de vencer em silêncio, foi para defender o sacrifício dos funcionários e os benefícios dos grandes empresários.

É Natal. Confundiram o dia. O funcionalismo foi tratado como judas.

As economias reais serão pífias. A questão é ideológica.

Quantas vezes o líder do governo subiu à tribuna para defender o pacote?

A ideia marqueteira era dividir o sacrifício entre todos. Menos os empresários.

A PEC dos duodécimos dos poderes, que entregaria o quinhão do MP e do judiciário conforme a receita efetiva e não segundo a ficção do orçamento, não passou. Era jogo para a torcida. A oposição caiu na armadilha.

Resultado: empresários e judiciário saíram ilesos.

Funcionalismo comum pagou a conta.

Um plano equilibrado seria assim: poderes recebem pela receita efetiva; excessos do funcionalismo são cortados; empresários perdem 30% dos incentivos que recebem; combate à sonegação é intensificado ao máximo; dados de incentivos são mostrados à luz do dia (nada pode ser escondido da sociedade na era da transparência).

Ah, mas aí eles vão embora para outros Estados?

Conclusão: são predadores e parasitas que se beneficiam da guerra fiscal.

No plano nacional, Michel Temer soltou um pacote para rasgar parte da CLT.

Sem condições morais de permanecer no poder, abalado por delações na Lava Jato, Temer oferece à mídia e aos empresários as reformas dos sonhos deles: desconstrução da legislação trabalhista e trabalho até a morte.

Adeus aposentadoria integral pelo teto baixo do INSS.

Se precisar, para ficar no poder, Temer oferecerá a revogação da Lei Áurea.

Sendo assim, está apto a continuar no poder.

Texto de JUREMIR MACHADO, CORREIO DO POVO.

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