Roda de Conversa proporcionou importantes momentos de reflexão sobre a situação das mulheres

Uma roda de conversas  de mulheres realizada na sede do Sindicato, no sábado (11), reunindo trabalhadoras dos Correios de Porto Alegre, região metropolitana e interior do Estado, proporcionou um importante momento de discussão sobre problemas rotineiros  enfrentados pelas trabalhadoras. 

Na pauta estiveram questões como a reforma da previdência e o impacto sobre as mulheres, a precarização das condições de trabalho dentro da empresa e situações de assédio moral.

A Roda de Conversa de Mulheres foi uma iniciativa do Sindicato, realizada pela Secretaria da Mulher, coordenada pela secretária Raquel do Santos Medina.

Durante parte da tarde, elas conversaram, colocaram a realidade dentro dos seus setores e definiram alguns encaminhamentos. Entre eles, o de reforçar a participação da categoria na assembleia do dia 14 de março, que irá definir a paralisação do dia 15. O indicativo, ao menos de acordo com as mulheres presentes ao encontro, é de que este movimento é fundamental para barrar a reforma da previdência e no caso da categoria, chamar a atenção da sociedade para a realidade das trabalhadoras de Correios.

Ruim para todos, pior para as mulheres

A roda proporcionou a todas se manifestarem livremente e elas de fato tinham muito o que colocar. E no decorrer das falas, foram colocadas importantes reflexões sobre a situação da mulher. Um dos pontos destacados foi a postura da empresa, que faz com que as trabalhadoras mesmo no mesmo setor de trabalho, se dividam entre elas e entre elas e os colegas homens. Há também situações que acontecem no trabalho e que se reproduzem em casa. Para elas, estas são situações de discriminação, de divisão e de preconceitos, que precisam ser superadas.

Entre os problemas apontados estão a falta de pessoal, a sobrecarga de trabalho, a impossibilidade de fazer horas extras, o acúmulo de funções, especialmente com a implantação das novas ferramentas de gestão. Mas também há graves problemas estruturais nas unidades, elencadas numa lista imensa, que vai desde a falta de bebedouros, até banheiros inadequados para as mulheres, passando pela falta de limpeza e chegando a própria insegurança nos prédios.

Das redes para a prática

Elas também avaliaram que há necessidade de uma maior mobilização da categoria na prática. Para as trabalhadoras, há muita mobilização e participação nas redes sociais, o que é importante. Mas esta participação não substitui a presença nas atividades, nas manifestações chamadas pelo Sindicato, que é uma das principais ferramentas dos trabalhadores para construir a luta.

Neste sentido, reiteraram a postura de fortalecer a participação das trabalhadoras e dos trabalhadores nas mobilizações do dia 15 de março próximo. Lembraram que a pauta não é somente a reforma da previdência, mas todos os problemas enfrentados hoje pela categoria, incluindo o desmonte da empresa.

Avanços foram resultado da luta

Durante as falas foi lembrado que as conquistas que as trabalhadoras têm hoje foram resultado de muita luta. Elas começaram a trabalhar como carteiras a partir de 1994 e à época, sequer haviam banheiros adequados às mulheres. Para elas também era mais difícil passar no contrato e experiência, porque boa parte das chefias ainda achava que mulher não poderia fazer o trabalho do carteiro.

A partir destas dificuldades elas começaram a se organizar e chegaram a ter reuniões de um coletivo de mulheres de 15 em 15 dias no Sindicato, para tratar dos problemas pontuais que atingiam as trabalhadoras e buscar soluções. Daí vieram muitos avanços, mas todos com muita luta. Mas hoje, infelizmente, muitos problemas que já estavam superados estão reaparecendo e em alguns setores há uma completa invisibilidade para os problemas que atingem as trabalhadoras.

A solução passa necessariamente, pela organização das mulheres, que devem retomar o protagonismo na luta por melhores condições de trabalho e superação do machismo e preconceito que ainda existe dentro da empresa.  A luta hoje, não pode ser apenas por salários, tem que ser por outras melhoras.

Denúncias ao Sindicato

A Dra. Jaqueline Mattiazzo Ledur, que falou no encontro sobre assédio moral, lembrou as trabalhadoras que todos os problemas que trazem dificuldades para a vida da trabalhadora devem ser relatados ao Sindicato. São muitas as possibilidade de buscar soluções que tenham uma repercussão coletiva, quer pela via negocial, quer pela via judicial.

Durante o intervalo, foi apresentada uma esquete com poesias, textos e letras de músicas que falaram sobre a violência contra a mulher. Em meio a refrões de músicas que diminuem o que significa a violência, como a de que “um tapinha não dói” e outras do imaginário popular, como “em briga de marido e mulher, vizinho não mete a colher”, foi lembrado que no Brasil, a cada dia, 500 mulheres, em algum lugar do país, demanda o SUS por causa da violência. “Um tapinha só dói sim”, disseram elas.

Encaminhamentos

No final foram retirados diversos encaminhamentos. Entre eles o de fortalecer atividades que possibilitem encontros de mulheres; resgatar as lutas e as conquistas das trabalhadoras de Correios; e reforçar a construção da paralisação do dia 15 de março.
As trabalhadoras também deliberaram por definir uma comissão de mulheres que irão organizar um Seminário Estadual de Mulheres do Sintect-RS, com previsão de data para maio próximo.

 

Assessoria de Comunicação

12/03/2017 15:57:55

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